O que mudou no licenciamento ambiental?
Por que essas leis são uma ameaça?
O que a ADI pede
A Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) busca suspender dispositivos das novas leis que fragilizam o licenciamento.
É um esforço conjunto de organizações e comunidades para proteger o meio ambiente e os direitos constitucionais.
Proteção ambiental
Engajamento social
PORQUE DIZER NÃO AO DESMONTE DO LICENCIACIMENTO AMBIENTAL NO BRASIL
FAQ – ADI contra a nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental (Lei nº 15.190/2025 e Lei nº 15.300/2025)
Esta seção reúne Perguntas e Respostas, em linguagem acessível, os principais pontos da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) proposta no STF contra a nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental (Leis nº 15.190/2025 e 15.300/2025), destacando como o novo marco amplia dispensas e autolicenciamento, enfraquece o controle técnico do Estado e ameaça o clima, a água, os biomas e os direitos de povos e comunidades tradicionais.
1. O que é a ADI contra o novo licenciamento ambiental?
A ação argumenta que essas normas desmontam o licenciamento ambiental, violando o artigo 225 da Constituição e princípios como prevenção, precaução e vedação ao retrocesso socioambiental.
2. Por que a dispensa de licenciamento ambiental é inconstitucional?
O STF já considerou inconstitucionais dispensas semelhantes na ADI 5312, e a ausência de licenciamento compromete a proteção ambiental e a segurança jurídica, violando o artigo 225 da Constituição.
O agronegócio é o setor que mais consome água no Brasil – cerca de 50,5% de toda a água utilizada no país –, o que torna ainda mais grave liberar tais atividades de licenciamento sem avaliar impactos sobre recursos hídricos e mudanças climáticas.
3. O que acontece com o Cadastro Ambiental Rural (CAR) nessa lei?
Isso abre espaço para situações irregulares e fragiliza um instrumento essencial para verificar se o imóvel rural cumpre a legislação ambiental.
4. O que é a Licença por Adesão e Compromisso (LAC) e qual o problema?
Sem avaliação adequada de riscos e impactos, a LAC pode permitir atividades perigosas com pouca fiscalização, aumentando os riscos de desastres socioambientais e de segurança, especialmente em contextos em que já se observou histórico de licenciamento acelerado e falhas de fiscalização, como no caso do empreendimento urbano da Boate Kiss, em que o estabelecimento chegou a operar com irregularidades e sem os alvarás devidos.
5. A nova lei considera os impactos cumulativos e sinérgicos?
Exemplos como a poluição por fábricas de cimento ou casos como o de Catalão/GO mostram que, sem essa análise, atividades de grande impacto podem ser licenciadas sem considerar a soma dos danos.
6. O que muda na avaliação e vistoria dos empreendimentos?
Vistorias em campo também serão por amostragem, o que pode comprometer a saúde pública, a segurança jurídica e aumentar o espaço para fraude e corrupção.
7.Como a lei trata o licenciamento de obras e serviços de infraestrutura?
Essa simplificação pode virar autolicenciamento inadequado e repetir problemas de grandes obras, como a BR-319, que exigem análise rigorosa de impactos.
8. O que a lei faz com a pecuária intensiva de médio porte?
Decisões do STF já indicaram que flexibilizar licenciamento de atividades agrossilvopastoris é inconstitucional, pois a proteção ambiental não pode depender apenas do porte da atividade.
9. O que é Licença de Operação Corretiva (LOC) e por que ela é criticada?
Isso é visto como irrazoável porque pode extinguir a punibilidade e institucionalizar o descontrole ambiental, premiando quem descumpriu a lei.
10. A renovação automática de licenças é segura?
Esse mecanismo abre margem para informações falsas, compromete a saúde pública e afronta a Política Nacional do Meio Ambiente e a Lei Complementar nº 140/2011.
Casos como os rompimentos de barragens em Mariana e Brumadinho, marcados por falhas de licenciamento, fiscalização e acompanhamento das estruturas, mostram como a ausência de revisões rigorosas e periódicas pode culminar em tragédias humanas e ambientais de grande escala
11. Por que é grave dispensar certidões e outorgas?
Sem esse controle, aumenta a insegurança jurídica, ampliam-se riscos à saúde e se quebra a integração entre políticas ambientais, urbanas e de recursos hídricos.
12. O que significa desvincular licenciamento ambiental da autorização sanitária?
Isso compromete a proteção da saúde pública, pois a autorização sanitária é essencial para garantir condições higiênico-sanitárias mínimas.
13. O que é a Licença Ambiental Especial (LAE) criada pela Lei nº 15.300/2025?
Mesmo exigindo EIA/Rima, a LAE cria um rito acelerado para projetos de grande impacto, como hidrelétricas ou grandes obras de infraestrutura.
14. Por que a LAE é considerada arriscada para projetos complexos?
Impor um prazo de 12 meses para todo o licenciamento especial tende a gerar análises superficiais e licenças inadequadas.
15. Qual o problema da centralização das decisões sobre empreendimentos estratégicos?
Isso enfraquece critérios técnicos e reduz o papel de órgãos como o Conama, fragilizando a proteção ambiental.
16. A lei simplifica o licenciamento em setores como água e energia?
Na prática, isso pode incluir usinas termelétricas a carvão e outros empreendimentos de alto impacto sob um rito brando.
17. Como a lei limita condicionantes socioambientais?
Essa limitação reduz a responsabilidade pelos impactos causados e contraria princípios constitucionais de proteção ambiental.
18. De que forma a lei facilita a regularização de irregularidades ambientais?
Isso tende a institucionalizar o “perdoar depois”, em vez de prevenir danos, e enfraquece a responsabilização de quem causou degradação.
19. Como a participação de autoridades e órgãos técnicos foi restringida?
A licença pode ser emitida mesmo sem a avaliação desses órgãos, o que ameaça direitos de comunidades tradicionais e bens culturais.
20. Quais inconstitucionalidades principais a ADI aponta?
Também denuncia o esvaziamento de princípios como prevenção, precaução, participação e vedação ao retrocesso socioambiental.
21. O que significa excluir a avaliação de impactos indiretos?
Isso aumenta a judicialização e os custos para empreendimentos, além de deixar comunidades vulneráveis a danos não considerados no licenciamento.
22. Por que a participação das autoridades não ser vinculativa é um problema?
Isso facilita a emissão de licenças que geram danos irreversíveis a comunidades e ao patrimônio cultural.
23. O que muda nas áreas de impacto presumido?
Essa redução compromete a proteção de comunidades e ecossistemas que ficam fora da área oficialmente analisada.
24. Qual o papel das autoridades de saúde no licenciamento?
A interpretação da lei deve garantir a escuta efetiva das autoridades de saúde em todas as fases do licenciamento ambiental.
25. Como a lei afeta unidades de conservação?
Isso enfraquece a proteção dessas áreas e é apontado como inconstitucional por esvaziar instrumentos de defesa do patrimônio natural.
26. O que muda na participação social no licenciamento?
Na prática, isso torna a participação social menos efetiva e dificulta que comunidades influenciem decisões que as afetam diretamente.
27. Como a lei trata a responsabilidade das instituições financeiras?
Isso contraria a lógica de responsabilidade objetiva e solidária prevista na legislação ambiental, desestimulando o controle socioambiental pelo setor financeiro.
28. O que acontece com a proteção da Mata Atlântica?
Com menos controle, aumenta o risco de desmatamento em um dos biomas mais ameaçados do país.
29. Por que a exigência de registro em conselho profissional é problemática?
Isso atinge especialmente campos como a antropologia, essenciais para estudos sobre povos indígenas e comunidades tradicionais.
30. Qual a importância dos antropólogos na demarcação de terras indígenas e na justiça?
No Judiciário, a Resolução nº 545/2022 do CNJ exige sua participação em processos que envolvem povos indígenas, reconhecendo seu papel técnico.
31. A lei considera a crise climática?
Isso é incompatível com a gravidade da crise climática e fragiliza direitos fundamentais ligados ao clima, como o direito à vida, à saúde e a um meio ambiente ecologicamente equilibrado, especialmente para populações vulneráveis e territórios já pressionados por fósseis, como regiões carboníferas e áreas de grandes obras de energia e transporte.
Ao não integrar a dimensão climática, a nova lei entra em choque com a agenda de justiça climática e de transição energética justa, que organizações como o Instituto ARAYARA e a sociedade civil têm defendido em ações contra termelétricas a carvão, megaempreendimentos de petróleo e gás e licenças que ampliam emissões em plena emergência climática.
32. Quais princípios jurídicos ambientais são violados?
Ao flexibilizar o licenciamento, a lei compromete a efetividade do artigo 225 da Constituição e os direitos coletivos ao meio ambiente equilibrado.
33. Qual a relação entre governança ambiental, Conama e democracia?
Uma governança ambiental democrática exige pluralidade, igualdade política e canais reais de participação popular.
34. Por que a participação popular é essencial no licenciamento ambiental?
O engajamento cívico é chave para enfrentar as deficiências do modelo democrático e pressionar por decisões alinhadas ao interesse público
35. Por que a Lei nº 15.190/2025 é inconstitucional?
A ADI pede que o STF reconheça esses vícios e restabeleça um licenciamento ambiental robusto, democrático e alinhado à Constituição.
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