O Leilão de Reserva de Capacidade em forma de Potência (LRCAP) 2026 é mais uma amostra da contradição entre discurso e ação do governo brasileiro sobre transição energética.
Esse leilão visa contratar usinas termelétricas (UTEs), hidrelétricas e outras fontes para garantir potência no horário de ponta do sistema elétrico. Foram cadastrados mais de 120 GW em projetos, dos quais 83% correspondem a novas UTEs a gás natural (99,6 GW) na região sudeste.
Ainda, três térmicas à base de carvão mineral também estão no certame: Pecém I (720MW) e Pecém II (365MW) no Ceará e Porto do Itaqui (360MW), no Maranhão.
Dos 330 projetos habilitados, 94% são de usinas termelétricas à base de combustíveis fósseis que, no processo de extração e queima, emitem gases de efeito estufa que contribuem para as mudanças climáticas.
O Instituto Internacional ARAYARA alerta que a expansão de térmicas a gás vai na contramão da meta de neutralidade climática até 2050 e recomenda revisar as diretrizes do LRCAP, priorizando fontes renováveis, armazenamento e critérios climáticos nas decisões de contratação.